Terça-feira, 6 de Maio de 2008
Quinta-feira, 1 de Maio de 2008
bom dia
Sábado, 26 de Abril de 2008
camadas de escamas
Terça-feira, 22 de Abril de 2008
depois da curva
que até pode ser a última
se não se conhece o caminho
ou talvez a retomada
no vôo de fazer ninhos
há que voltar pra casa
sempre ao fim dos dias
nenhum lugar é melhor
nenhuma cama tão boa
mergulhar sob as cobertas
nas noites frias de outono
onde os corpos trocam donos
e sonham somente sonham
sonhares alvissareiros...
Terça-feira, 15 de Abril de 2008
tique-taques
Alguma coisa no tempo me absorve em extenuante trabalho inútil da mente. O tempo passa. Na parede, quase desapercebido – meu relógio muito antigo marca sem saber essa passagem. É máquina, mas é personagem de uma história. Me lembro dos meus primeiros contatos com ele. Seus tique-taques monocórdios só pareciam interrompidos pelo badalar das horas cheias e de suas metades. Criança ingênua – a ingenuidade era minha companheira inseparável – eu via a alma do relógio e desde então eu já sabia que teríamos um caso de posse mútua. Tenho eu esse relógio ou será que ele me tem?! Não sei. Na verdade ele sempre marcou as minhas horas. Mesmo quando eu já não estava por perto e fui embora pra cidade. Primeiro a pequena e depois a grande. Meu relógio – que ainda não era – a esperar num compasso repetitivo e paciente. Tique-taque, tique-taque, tique-taque... Blemblom, blemblom, blemblom... Eram três horas da tarde. O sol a pino e um calor que Deus mandava. Os animais no pasto adivinhavam chuva relinchando, correndo, balindo, pastando. Eu chorava num canto sob o meu relógio... Imaginava febril as horas longínquas que nunca chegavam e que ainda não me deixavam partir. Parece que aquelas lágrimas tiveram o condão de acelerar o tempo que não passava e a partir de então, cada dia mais depressa ele foi passando e desgastando os infindáveis tique-taques do velho relógio pendurado. Anos depois, idas e vindas, depois de tantas mudanças o cansaço das viagens. Tanto quanto a mim ele me pareceu tão cansado da última vez que pude ouvi-lo noite adentro em seu balanço nostálgico e hipnótico... Se movia tão exausto e lento que ao clarear do dia seus ponteiros carcomidos amanheceram parados. Quando o moderno celular me despertou olhei-o lânguida e longamente, mirando as figuras gastas de seu vidro amarelado pelo tempo. Um tristonho desalento me envolveu e não tive coragem de girar sua anacrônica manivela que o obrigaria retomar seus movimentos a demarcar meu tempo. Quedei-me absorto e deixei que permanecessem imóveis seus ponteiros e badalo, e que se calassem os seus tique-taques...
Sábado, 12 de Abril de 2008
sorrisos
faz o peso aliviado
dá à vida mais prazer
pensamento anuviado
traz tormentas torrenciais
e quem quer pensar demais
perde o riso encantador...
Terça-feira, 8 de Abril de 2008
segredos
Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
esforço verdadeiro
Quarta-feira, 2 de Abril de 2008
horizonte
Sexta-feira, 28 de Março de 2008
carrosséis
neste espremedor de idéias
verdadeiro caudal de pensamentos
a conspirar no vazio
sem nenhuma inspiração
retorno ao lugar confuso
- nó de sortilégios -
e de nada adianta
é hora do crepúsculo
adormecem os músculos
despertam os delírios
na saliva dos desejos
merejam instantes de poesia
mas é rebate falso
balde d'água fria
não passam de fantasmas
no meu lusco-fusco vespertino...
Segunda-feira, 24 de Março de 2008
sem leme
vã filosofia...
mas o sentido mesmo
só na poesia
a dos sentidos
desde o olhar noturno
em toques lânguidos e à revelia
cálido cheiro de romã
a dissipar sabores
ressoando nostalgia
um sexto sentido
esculpe na alma
grávida melancolia
que faz parir a escuridão
na madrugada e à luz do dia
Quinta-feira, 20 de Março de 2008
Feliz Páscoa e bom feriado
Segunda-feira, 17 de Março de 2008
verbo surdo
que pede água imaginária e afoga seu rastilho
então se recomeça um outro ciclo perdulário
revisitando palavras estopins e águas em delírio
será que não transcende esse imanente sanguinário
esse desejo incinerante submerso e carmesim?!
me engarrafo tamponado no silêncio
meus olhos ficam tão grudentos ...
de onde estou vindo, pra onde estou indo?!
antepassados produziram morticínio
que vaticinam rancoroso odor de morte
o medo camuflado nas manchetes dos pasquins...
enfrentamento e fuga
eros e tanatos
fato inconteste nesta raiva machucada
imotivada e agreste
deambulando em pleno cativeiro
rubra escarlate em seu cheiro
nessa instância amordaçada até o fim...
Sexta-feira, 14 de Março de 2008
hmmmmmm

As coisas simples também costumam ser muito mais gostosas de saborear, além de serem saudáveis, vistosas e bem fáceis de fotografar... E ainda tenho na memória afetiva e gustativa o sabor deste arroz de forno que degustei lá pelas bandas de Salvador na companhia de pessoas das mais generosas, acolhedoras e amáveis que conheço... E precisa, - à mesa, - alguma coisa melhor que isso?!...
PS.: Um dos comentários deste post é do Fabiano e ele me elegeu também, além da Biazinha que já o fizera anteriormente, como blogueiro que sabe comentar. Claro que é uma satisfação ter esse reconhecimento agora duplicado! Então, resta agradecer aos dois pela gentileza do selo a mim conferido. Obrigado amigos!
Quinta-feira, 13 de Março de 2008
cinzas do cautério
num beijo longo e demorado
unindo as duas partes interpostas
nada restou de voz - vivo calado
aproximei meus olhos do cautério
em masoquista olhar descontrolado
queimou-se córnea e íris - a menina
só vejo as labaredas do passado
aproximei meu dedos ao cautério
numa carícia longa e demorada
uni os cinco dígitos da mão
fugi das manipulações travado
aproximei o peito ao cautério
pulsando um coração descompassado
frigiu numa fusão arrependida
e derramou seus magmas cansados
aproximei a mente ao cautério
num pensamento louco acabrunhado
fundi idéias, derreti o cerebelo
agora arrasto os chinelos desvairado
me aproximei inteiro do cautério
em chamas, brasas vivas inflamadas
me consumi buscando a redenção
mas só restaram cinzas espalhadas
(ps.: texto readaptado do meu original por aqui publicado em 25/05/03)
Terça-feira, 11 de Março de 2008
aquém do além
nem sempre, mas às vezes ambos são bons
ou poderiam ser se os olhássemos sem medos
pra todo mundo tudo acaba no fim
mas algumas pessoas nem começam
porque se acabam muito cedo
cultivando dores anônimas
assumindo andores estranhos
carregando os vasos sem as flores
na vida é preciso mais
é preciso crer
buscar a rota perdida
apreciar a música
e o silêncio
saber andar, correr e também a hora de parar
um pit stop não é exclusividade da fórmula 1
quem não se dá um tempo
pode não encontrar-se
e ninguém pode perder de vista
a si mesmo
pois quem não consegue gostar-se
não gosta de mais ninguém
a vida é bela
o sol colore as paisagens
e algo grandioso espera além
a todo o que vive bem
ou faz o seu esforço para tal
diuturnamente
aqui no aquém
Segunda-feira, 10 de Março de 2008
pernoite
soava rouca a tua voz
e a cada vez
que ecoava meu silêncio
podíamos ouvir
teu riso cristalino
a acender meus olhos de menino
como se estivessem noutro tempo
a noite avançava sem pressa
mas não medíamos as horas
fomos vencidos pelo sono
os sons se foram extinguindo
nossos corpos dormitantes
em suave torpor sob os lençóis
nenhuma idéia ou projeto de amanhã
abandonados à pertença mútua
na leveza insustentável de um momento
perdido numa noite qualquer
amostra expressiva
do terno encontro das vigílias
fiel retrato de uma vida
íntima ao par
depois do sol se por
e até o novo dia despertar
Sexta-feira, 7 de Março de 2008
quatro décadas depois...
refém de olhares suplicantes
revejo em sonhos velhas madrugadas
me lembra o violão e aquela voz suave
éramos poucos e fiéis
nas noites de sexta rodopiávamos
nas pistas, nas festas e coquetéis
à cata de aventuras inocentes
no máximo alguns excessos etílicos
e no sábado as ressacas matinais
afora isso tudo era tão tranquilo
leve clarão no céu de azul profundo
tantas indefinições então no horizonte
tínhamos cabelos longos, calças jeans
ingênuas crianças de sonhos adultos
ouvíamos raul, beatles e bee-gees
não éramos melhores ou piores
que os garotos dos dias atuais
diferia a moda, a malícia, os interesses
mas em algo éramos iguais
éramos jovens
Quinta-feira, 6 de Março de 2008
infusões
a volúpia dos enganos
escolta tua pele desnuda
retardando a iminência
da lava em ponto de explosão
até o momento inadiável
de sublime instinto
que antecipo e sinto
nos planos da emoção
em teus braços submerso
perco a clareza no verso
e me inundo de paixão
num mergulho denso
esmoreço
e minha identidade difusa
se desvanece na tua
jazem gotas singulares
no plural
dessa fusão
Quarta-feira, 5 de Março de 2008
reconfigurações
terra tão perto
planeta deserto
gira e translaciona
quem sou
face inexpressiva
nesse plano
junto meus pedaços
regenerando a figura
entre ansiedade e fissura
procuro o que há de melhor
no imediato e no futuro
que tragam as nuvens
mansas chuvas de outono
irradiando ao peito
luzes em meu sono
em dias de sol
e noites de luar...
PS.: Não tenho muita afinidade com selos, memes e quetais do universo blog - mas não pude resistir ao carinho da minha sobrinha mais recentemente conquistada, a Biazinha e vou publicar o elogioso mimo em forma de selo com que ela me elegeu. Então, lá vai...
Domingo, 2 de Março de 2008
promessa de outono
a mente é capaz dessa harmonia
bailo completamente estático
e rodopio num salão imaginário
condutor e conduzido
musa e dançarino alado
voamos sem limites
lado a lado
até um ponto do infinito
algum lugar sagrado
aonde o pensamento nos levar...
Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
índole amistosa
Um centro decisório pessoal tem nessa minha índole - que me faz ser o que sou – o seu critério.
Entre tantos tipos humanos, há pessoas acomodadas, pessoas incomodadas e pessoas inconstantes. Vivo na tensão contínua entre acomodação e o incômodo que isso me faz sentir. Ajo, pois. Mas uma ação lenta, gradual e com vistas ao longo prazo. Inconstante não sou. Definitivamente. E não gosto de gente inconstante que ora está de um jeito ora de outro. Uma vez todo sorrisos e na outra, cara virada. Ora amistoso, ora hostil. Em gente assim nunca creio no sorriso estampado pois antecipo a ameaça velada escondida entre os dentes que tenderão a ranger avante.
Não há segurança em relacionamentos desse naipe. Fujo. O bom mesmo são as pessoas que despertam sempre ora o entusiasmo ora a solidariedade, quer sorriam quer vertam lágrimas. Entusiasmo e solidariedade sempre nos impulsionam para frente e para o alto. E só mesmo em gente acolhedora, positiva e entusiasta vale a pena investir confiança e amizade!
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
monólogo
Que a vida possa fluir livremente, em planos feitos ou acasos, - mas que amadureça e frutifique até o seu ocaso!
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
tsunamis
Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008
culpa
Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
caçada literária
Sábado, 9 de Fevereiro de 2008
conto da esquina
Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008
um fado em lembranças
Sábado, 2 de Fevereiro de 2008
frutos maduros

sorvo um trago gelado
e abraço a imensidão infinita
ao meu redor crianças em burburinho
não me incomoda o alarido
aprecio a bruma e a vastidão do mar
descalço mergulho os pés na areia
um torpor me invade a alma
descanso absorto e calmo
tuas mãos desalinham meus cabelos
não peço quase nada
me bastam tais momentos
e a certeza do teu amor maduro
se estás ao meu lado
nestas tardes quentes
assim indolente
é tudo o que preciso
para viver feliz...
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
feriado
Mas para mim, na hipótese de chuva, até vou conseguir dormir mais sossegado porque a turba molhada faz menos barulho...
Feliz feriado!
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
gosto de isopor
Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008
bons momentos
Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
oceano
escondo melancolias
e a saudade decantada
prestes a se derramar
me arrasta em silêncio
no dorso da madrugada
reviro sob os lençóis
desperto e incerto
como dois e dois são quatro
e vou pirata solitário
singrar um oceano imaginário
em meio a muitos devaneios
até ouvir a sua voz
num canto tão suave
a me ninar...
Domingo, 20 de Janeiro de 2008
bom dia
Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
mundo jovem
Não há como deixar de amar a juventude. A vida é um processo que costuma ser longo e demorado e com o passar do tempo vamos aprendendo a rastrear os melhores caminhos, corrigir as metas e ajustar a perspectiva e o foco. E é muito belo assistir serenamente uma performance vital se desenvolvendo ao nosso lado. Bonito como ver um rio que acomoda seu leito às sinuosidades do terreno e com leveza busca os melhores traçados para desaguar no oceano. É inspirador assistir a juventude em seu processo suave de maturidade e também é oportuno aproximar-se oferecendo algum saber e solidariedade em seus momentos mais íngremes.
Tenho muita juventude ao meu redor porque adoro me rodear de gente nova - ainda que alguns sejam anciãos em contínua renovação. O lampejo e o vigor de mocidade que vejo nas pessoas revigora em mim as reservas remanescentes de juventude que assim nunca de todo se esgotam.
E o mundo fica melhor quando rejuvenesce...
Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
tédios
com a exceção do tédio
cujo conserto é difícil
ele adora tardes quentes
as noites longas sombrias
e os dias de chuva fina
tem também um outro tédio
que nada tem com o clima
mas apenas cai por cima
judiando pra valer...
Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008
dividendos
Só dá pra garantir o agora porque ontem já passou e amanhã ainda não chegou... Isso é tão óbvio que a gente se esquece e acaba passando a vida inteira refém do passado ou do futuro, esquecendo de viver o único momento possível para as escolhas reais, o hoje. Claro que as experiências acumuladas e a perspectiva de futuro são nossos maiores motivadores e interferem diretamente no presente, mas - insisto - o único momento de fazer acontecer é agora.
É preciso planejar os passos, tão meticulosamente quanto possível, mas também é preciso que os passos planejados para hoje aconteçam. É muito comum que protelemos as coisas que devíamos fazer agora, já, nesse minuto. Às vezes, depois é tarde demais...
Para a minha vida tenho algumas regrinhas especiais que me ajudam no caminho e que menciono a seguir, sem qualquer ordem de prioridade:
1. Viver bem o agora.
2. Nunca jamais em tempo algum gastar mais do que ganho.
3. Antecipar as tarefas difíceis e só depois fazer as mais fáceis.
4. Não me estressar com bobagens.
5. Cumprimentar cordialmente as pessoas, nem que seja sem vontade... Isso pode fazer a diferença entre um bom e um mau dia.
6. Sorrir, que não custa nada...
7. Evitar cara feia que, além de tudo, causa marcas de expressão e envelhece...
8. Repelir o mau humor, um chato que adora se encastelar na mente das pessoas.
9. Ter paciência comigo mesmo que ninguém é de ferro.
10. Me amar e valorizar o que sou e faço e assim nunca poder dizer: ninguém me ama...
11. Chorar de raiva, de mágoa ou se a saudade ou a tristeza tomar conta, mas depois, levantar a cabeça, dar a volta por cima e sorrir de novo... Afinal, não dá pra ser criança o tempo todo!
12. Acreditar na vida, nas pessoas e, principalmente, em Deus e em mim mesmo.
13. Também adoto a regrinha de ouro de não fazer aos outros o que não gostaria que me fizessem.
14. Respeitar cada pessoa e os seus limites, por mais esquisitos que pareçam.
15. Não levar tudo a ferro e fogo e nem levar tudo tão a sério na vida, nem a mim mesmo ou aos demais - uma galhofa de vez em quando faz bem e desopila o fígado. Como já diziam os antigos, rir ainda é o melhor remédio!
16. Chutar o balde uma vez ou outra para que as pessoas não descubram que sou uma lesma...
17. Cultivar as três instâncias do ser: espírito, mente e corpo, integrando-as e valorizando cada uma delas e o conjunto que formam e que costumo chamar de "eu".
18. Ficar completamente à toa quando estiver de saco cheio de trabalhar, estudar ou aturar as pessoas. Mas só quando ficar cansado e de saco cheio mesmo, porque ficar à toa também cansa.
19. Ter um hobby qualquer, uma coisa aparentemente sem sentido para o mundo, mas que me preencha e satisfaça.
20. Nunca fazer o que me desagrada para agradar os outros. Fazer sempre o que é bom, o que é certo ou o que eu estiver a fim, claro, com o cuidado de não prejudicar ninguém...
Além de algumas outras que não me ocorrem agora, estas regrinhas básicas tem me ajudado muito a deixar de ser a pessoa mesquinha, pessimista e negativa que já fui, para me tornar alguém de convívio mais agradável, menos desorganizado e mais afetivamente equilibrado.
E isso não deixa de assinalar que a passagem dos anos também pode trazer alguns dividendos da maturidade!
Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008
muitas vezes
nas tardes quentes
prenunciando bom tempo
e insisto em romper
os grilhões da nostalgia
que ainda me ronda
e me envolve quando em vez
mas aqui quem dá as cartas
é um otimismo deliberado
impresso feito tatuagem
no reverso da minha tez
no mais é ter coragem
e perdoar minhas bobagens
de novo de novo de novo
e então seguir viagem
ao amanhã que vai ser hoje
uma vez, de novo e outra vez...
Domingo, 6 de Janeiro de 2008
calendário
propícia a revelações piegas
falar de abraços mornos
e olhar o céu de nuvens
advinhando desenhos caprichosos
corações partidos, pássaros feridos
ou a rosa rubra recém desabrochada...
janeiro é um tempo meio estranho
cheio de preguiças e tantos planos
chuvas torrenciais e mil relâmpagos
depois do sol incômodo escaldante
nesta soma tediosa dos instantes
que ora passam lentos ora velozes
mas kronos insensível não dá tréguas
para as antigas emoções decantar
deglutindo os surtos de melancolia
do calendário que não pára de girar...