H@ vida depois dos 60

…com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas…

arquivos do mes de janeiro, 2008

profissão tardia

Uma das coisas boas das férias é que a gente tem um tempo ocioso enorme e pode preenchê-lo com ações agradáveis e prazeirosas. Bem, não estou de férias do trabalho – ainda, – apenas da faculdade. Sim, da faculdade, porque depois de ultrapassar a barreira psicológica dos cinquenta resolvi voltar a estudar e já estou para iniciar meu terceiro ano de teologia. E o que é teologia, me perguntarão?! A resposta poderia ser longa e rebuscada, mas não é essa minha intenção por aqui. Então, basicamente, teologia é o estudo sobre a revelação divina – ou seja – o estudo daquilo que Deus, principalmente através das Sagradas Escrituras nos deu a conhecer sobre Si mesmo. Para um descrente isso soaria como tremenda perda de tempo, mas para um crente é um imenso deleite descobrir e aprofundar tantas verdades gratuitamente reveladas por Deus. Ao terminar o curso me tornarei bacharel em teologia ou teólogo se preferirem. E para que alguém se torna teólogo?! Há diversos campos para um teólogo, um deles é a vida religiosa como sacerdote ou diácono – que não parece por enquanto ser o meu caso, – outro é a pesquisa e, ainda outro, o magistério. Esta terceira alternativa é a minha primeira opção. Pretendo fazer um mestrado de dois anos depois do bacharelado e em seguida lecionar teologia em alguma faculdade ou seminário católico. Quando acontecer isso estarei realizando um dos maiores sonhos da minha juventude: lecionar, – pois me sinto um professor frustrado. E de quebra realizarei também um sonho da maturidade que é ocupar meu tempo de modo produtivo num campo que muito me agrada, a minha religião.
Se tudo conspirar nessa direção – como creio que Deus fará – daqui algum tempo me aposento da profissão administrativa que exerço a mais de trinta anos e passo a fazer algo que adoro: ensinar!
Não vejo a hora de me tornar um professor! Pode?!…

pensado por Tarciso (2) comentários

sonho qualquer

       A vida se constrói em camadas de rotina – por vezes sufocante, – e eventuais sobressaltos. Nem todo sobressalto é ruim mas é sempre uma surpresa que de repente e do nada se apresenta, podendo alterar o enredo de uma vida. Não se planeja em detalhes um filho, um amigo, uma perda, uma alegria contagiante ou uma agonia qualquer… Olhando em retrospectiva para nossas próprias vidas encontramos esses eventos como marcas indeléveis na trajetória, pegadas que se esmaecem apenas com o lento e preguiçoso passar do tempo. Aos vinte e um sofri uma perda pessoal irreparável, repentina e impensável provocando uma guinada que alterou meu destino que se delineava aparentemente sem surpresas. O solavanco abalou a família causando a dispersão dos irmãos, cada um procurando o próprio rumo e tecendo em solo sua nova caminhada. Algumas camadas de anos depois a perda vai sendo absorvida – até onde isso é possível, – e novos eventos, uma nova família, filhos, trabalho, novos amigos – a própria passagem do tempo vão cauterizando a ferida e permitindo uma continuidade existencial, o que seria impossível não fosse essa potencialidade humana de superar limites e estabelecer novas metas para seguir vivendo. Mesmo quando somos muito jovens já teremos experimentado eventos impactantes na vida, uns mais outros menos, mas todos já sabemos que eles existem e podem nos sujeitar ao sobrevir alterando planos em andamento ou projetos acalentados. Na infância sonhava ser médico e acabei – muito a contragosto – me tornando administrador. O fracasso do sonho imposto pela realidade, apesar dos pesares, não resultou de todo ruim, afinal estou aqui diante deste monitor – em pleno expediente – expressando em palavras aquilo que houve de superação diante do plano frustrado. Assim é a vida e o que seria dela não fosse a limonada sempre possível a partir de alguns limões. Um post pode nascer assim, fruto da necessidade de fincar um marco no calendário no primeiro dia útil de um novo novo ano para que na sucessão das camadas anuais, lá mais à frente, eu possa me localizar e distinguir a quantas andavam meus pensamentos e humores nesta fase cinqüentenária em que me encontro. Tolices, alguns dirão. Talvez tenham razão, mas de que serviria um blog se qualquer tipo de censura reprimisse a liberdade de expressar sem compromisso pensamentos soltos flutuando ao rés do chão?!… Um dia, quiçá, ainda empreenderão vôos mais elevados… Até lá, deixem que fale, que sinta, que sonhe um sonho qualquer…

pensado por Tarciso comente