H@ vida depois dos 60

…com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas…

divina humanidade

As sandálias arrastadas produziam um som amortecido e os pés repousavam confortáveis no seu interior macio. Tudo o mais era uma incógnita ferida naqueles olhos que precipitavam lágrimas no vazio. Não era possível definir exatamente a sua idade embora se advinhasse um aspecto juvenil escondido atrás do sofrimento entrecortado por soluços reprimidos. Não resistiu ao aconchego ofertado pelo estranho e deixou-se envolver naquele silencioso e protetor abraço. Calaram-se as palavras e se algum som se ouvia não passavam dos grunhidos de quem chora aumentando progressivamente de intensidade enquanto crescia o silêncio paternal de quem reverentemente o consolava. Passaram-se os minutos, passaram-se as horas, passou a dor como mais cedo ou mais tarde passam todas as dores juvenis. Um semblante serenado apareceu naquele ser abandonado e, ele, abrigado num abraço terno, reencontrou a sua chance de seguir adiante procurando o próprio destino. Aquele foi o abraço definitivo em sua vida – jamais o esqueceu, também jamais reviu aquele mesmo aconchego e, agora, já bastante amadurecido, ainda traz na lembrança reminiscências esmaecidas daquele abraço de Deus manifestado nos braços humanos de um ser desconhecido…

pensado por Tarciso Comente   

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