H@ vida depois dos 60

…com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas…

hmmmmmm

hmmmm....

As coisas simples também costumam ser muito mais gostosas de saborear, além de serem saudáveis, vistosas e bem fáceis de fotografar… E ainda tenho na memória afetiva e gustativa o sabor deste arroz de forno que degustei lá pelas bandas de Salvador na companhia de pessoas das mais generosas, acolhedoras e amáveis que conheço… E precisa, – à mesa, – alguma coisa melhor que isso?!…

PS.: Um dos comentários deste post é do Fabiano e ele me elegeu também, além da Biazinha que já o fizera anteriormente, como blogueiro que sabe comentar. Claro que é uma satisfação ter esse reconhecimento agora duplicado! Então, resta agradecer aos dois pela gentileza do selo a mim conferido. Obrigado amigos!


pensado por Tarciso comente    

cinzas do cautério

aproximei os lábios ao cautério
num beijo longo e demorado
unindo as duas partes interpostas
nada restou de voz – vivo calado

aproximei meus olhos do cautério
em masoquista olhar descontrolado
queimou-se córnea e íris – a menina
só vejo as labaredas do passado

aproximei meu dedos ao cautério
numa carícia longa e demorada
uni os cinco dígitos da mão
fugi das manipulações travado

aproximei o peito ao cautério
pulsando um coração descompassado
frigiu numa fusão arrependida
e derramou seus magmas cansados

aproximei a mente ao cautério
num pensamento louco acabrunhado
fundi idéias, derreti o cerebelo
agora arrasto os chinelos desvairado

me aproximei inteiro do cautério
em chamas, brasas vivas inflamadas
me consumi buscando a redenção
mas só restaram cinzas espalhadas

(ps.: texto readaptado do meu original por aqui publicado em 25/05/03)

pensado por Tarciso comente    

aquém do além

toda situação tem dois lados – no mínimo
nem sempre, mas às vezes ambos são bons
ou poderiam ser se os olhássemos sem medos
pra todo mundo tudo acaba no fim
mas algumas pessoas nem começam
porque se acabam muito cedo
cultivando dores anônimas
assumindo andores estranhos
carregando os vasos sem as flores
na vida é preciso mais
é preciso crer
buscar a rota perdida
apreciar a música
e o silêncio
saber andar, correr e também a hora de parar
um pit stop não é exclusividade da fórmula 1
quem não se dá um tempo
pode não encontrar-se
e ninguém pode perder de vista
a si mesmo
pois quem não consegue gostar-se
não gosta de mais ninguém
a vida é bela
o sol colore as paisagens
e algo grandioso espera além
a todo o que vive bem
ou faz o seu esforço para tal
diuturnamente
aqui no aquém

pensado por Tarciso comente    

pernoite

na calada
soava rouca a tua voz
e a cada vez
que ecoava meu silêncio
podíamos ouvir
teu riso cristalino
a acender meus olhos de menino
como se estivessem noutro tempo
a noite avançava sem pressa
mas não medíamos as horas
fomos vencidos pelo sono
os sons se foram extinguindo
nossos corpos dormitantes
em suave torpor sob os lençóis
nenhuma idéia ou projeto de amanhã
abandonados à pertença mútua
na leveza insustentável de um momento
perdido numa noite qualquer
amostra expressiva
do terno encontro das vigílias
fiel retrato de uma vida
íntima ao par
depois do sol se por
e até o novo dia despertar

pensado por Tarciso comente    

quatro décadas depois…

estas noites e suas nostalgias
refém de olhares suplicantes
revejo em sonhos velhas madrugadas
me lembra o violão e aquela voz suave

éramos poucos e fiéis
nas noites de sexta rodopiávamos
nas pistas, nas festas e coquetéis
à cata de aventuras inocentes

no máximo alguns excessos etílicos
e no sábado as ressacas matinais
afora isso tudo era tão tranquilo
leve clarão no céu de azul profundo

tantas indefinições então no horizonte
tínhamos cabelos longos, calças jeans
ingênuas crianças de sonhos adultos
ouvíamos raul, beatles e bee-gees

não éramos melhores ou piores
que os garotos dos dias atuais
diferia a moda, a malícia, os interesses
mas em algo éramos iguais
éramos jovens

pensado por Tarciso comente    

infusões

no território das sensações
a volúpia dos enganos
escolta tua pele desnuda
retardando a iminência
da lava em ponto de explosão
até o momento inadiável
de sublime instinto
que antecipo e sinto
nos planos da emoção
em teus braços submerso
perco a clareza no verso
e me inundo de paixão
num mergulho denso
esmoreço
e minha identidade difusa
se desvanece na tua
jazem gotas singulares
no plural
dessa fusão

pensado por Tarciso comente    

reconfigurações

o coração
terra tão perto
planeta deserto
gira e translaciona
quem sou
face inexpressiva
nesse plano
junto meus pedaços
regenerando a figura
entre ansiedade e fissura
procuro o que há de melhor
no imediato e no futuro
que tragam as nuvens
mansas chuvas de outono
irradiando ao peito
luzes em meu sono
em dias de sol
e noites de luar…

PS.: Não tenho muita afinidade com selos, memes e quetais do universo blog – mas não pude resistir ao carinho da minha sobrinha mais recentemente conquistada, a Biazinha e vou publicar o elogioso mimo em forma de selo com que ela me elegeu. Então, lá vai…


pensado por Tarciso comente    

promessa de outono

deslizo no silêncio musicado
a mente é capaz dessa harmonia
bailo completamente estático
e rodopio num salão imaginário
condutor e conduzido
musa e dançarino alado
voamos sem limites
lado a lado
até um ponto do infinito
algum lugar sagrado
aonde o pensamento nos levar…

pensado por Tarciso comente    

índole amistosa

Uma índole que se incorporou ou que sempre fez parte do meu ser me arrasta a fazer as escolhas vitais. Das menores às mais relevantes. Desde o mais trivial ato de acordar e decidir levantar ou continuar na cama até a decisão de demissão ou permanência no emprego, mudança ou continuar morando na mesma cidade ou entre aceitar desaforos e chutar o balde.
Um centro decisório pessoal tem nessa minha índole – que me faz ser o que sou – o seu critério.
Entre tantos tipos humanos, há pessoas acomodadas, pessoas incomodadas e pessoas inconstantes. Vivo na tensão contínua entre acomodação e o incômodo que isso me faz sentir. Ajo, pois. Mas uma ação lenta, gradual e com vistas ao longo prazo. Inconstante não sou. Definitivamente. E não gosto de gente inconstante que ora está de um jeito ora de outro. Uma vez todo sorrisos e na outra, cara virada. Ora amistoso, ora hostil. Em gente assim nunca creio no sorriso estampado pois antecipo a ameaça velada escondida entre os dentes que tenderão a ranger avante.
Não há segurança em relacionamentos desse naipe. Fujo. O bom mesmo são as pessoas que despertam sempre ora o entusiasmo ora a solidariedade, quer sorriam quer vertam lágrimas. Entusiasmo e solidariedade sempre nos impulsionam para frente e para o alto. E só mesmo em gente acolhedora, positiva e entusiasta vale a pena investir confiança e amizade!

pensado por Tarciso comente    

monólogo

Passei da casa dos 50… nessa aventura perdi pedaços importantes de mim, mas a vida enxertou novas vidas em minha estória. Nunca estou só – não ao menos completamente. Caminho por caminhos navegados e descortino horizontes novos os quais sempre me vejo a desbravar. É verdade que acordo muitas vezes interrompendo muitos dos melhores sonhos… mas nada que uma boa cochilada não os permita resgatar. Estou aqui e faço parte de um momento raro da humanidade – único para mim e meus contemporâneos. Quiçá me leiam no futuro – que pelo menos eu mesmo o faça. Quem sabe as minhas letras imortalizem uma parte de mim. Aquela parte que ousou expressar-se e deixar registradas impressões que o tempo costuma dissipar… De todo modo, é preciso viver. E se é bela a vida, bom é exprimir os momentos marcantes: sejam os de maior deleite bem como os de aflições, incertezas e ansiedades – sempre na certeza que a alegria deve prevalecer e suceder a cada um destes momentos de tensão que se experimenta no decorrer de uma existência…
Que a vida possa fluir livremente, em planos feitos ou acasos, – mas que amadureça e frutifique até o seu ocaso!

pensado por Tarciso comente