H@ vida depois dos 60

…com pensamento, opinião e poesia em doses homeopáticas…

louca lucidez

Me sinto preso por um cordão invisível e elástico. Por estas características ele não se me afigura tão mau – ninguém o vê e a restrição que me causa não é absoluta. Entretanto, de vez em quando, por tensionar demais os limites sinto-me repentinamente puxado para o meu atávico ponto gravitacional. Estique um elástico e depois o solte para compreender a ideia. Nisso me sinto fadado a patinar patinar e inevitavelmente voltar sempre ao mesmo ponto primordial dos meus defeitos, das minhas virtudes, dos meus desejos insaciados e das loucuras da minha lucidez. Não quero me esquecer que amanhã haverá eleição em diversos níveis e espero que meu elástico não esteja tenso ao ponto de impedir meu exercício de cidadania. Que o nonsense desta loucura sazonal não ultraje minha lucidez, não inviabilize a ortodoxia dos meus atos e nem estimule um pessimismo que jamais foi meu. Não de novo, não ao menos desta vez…

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notas setembrinas

Setembro é um mês particularmente agradável para a minha percepção afetiva. Entre as suas múltiplas nuances ele marca o início da primavera remetendo aos aromas adocicados e exóticos da nossa flora ainda mais exuberante nesta estação. O clima se torna ameno com dias quentes e noites agradáveis para o usufruto de um sono reparador.
Hoje é o último dia deste mês de natureza tão vivaz e eloquente e isso se faz pretexto para que a minha escrita acorde por instantes de um sono letárgico e preguiçoso.
Todas estas camadas exteriores em tons otimistas afetam positivamente as camadas interiores da alma fazendo iluminar sorrisos espontâneos e lembranças acalentadoras na memória afetiva da história de cada ser humano. Bem, ao menos daqueles que como eu tem essa predileção pelos setembros que se repetem a cada período de 12 meses.
Setembro está terminando e já me sinto adentrando em clima de saudades deste mês…

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astro rei

astro rei

Résteas de sua luz atravessam a grade protetora formada por combalidas árvores centenárias e invadem o recinto desrespeitando também a fragilidade translúcida das vidraças. O sol brilha lá fora… Já repeti essa frase milhares de vezes mas o astro rei não se abala à esta constatação – apenas brilha. Também não se amofina quando seu calor emanado fica abrasante demais ou quando a claridade que emite nos ofusca os olhos.
A luz que entra pela janela… tema recorrente e impertinente. Afinal a luz e as sombras não se cansam de alternadamente lamber a nossa pele – o que nos faz envelhecer – embora ao pretexto desgastado de que é o passar dos anos que torna isso inevitável.
Mais de vinte mil dias já vivi e destes, noventa por cento foram bastante ensolarados porque as sombras mais densas chegam só ao anoitecer. Estranho, portanto, a palidez branquela da minha pele – é que mesmo idolatrando a sua luz, fujo a qualquer custo da exposição inglória às inclemências do seu tórrido calor.
E como brilha o sol nesta manhã!…

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Tenho estado muito envolvido com a rotina acadêmica – estou praticamente chegando ao final do último entre os dez semestres de duração desse longo curso. Já passei pelo estágio e pela monografia, falta agora a preparação para o famoso exame De Universa – obrigatório para quem quer fazer qualquer pós graduação e eu quero ingressar no mestrado para dar aula mais tarde…
Isso faz com que este espaço bloguístico esteja um tanto quanto em segundo plano. Falta-me inspiração para a poesia, a crônica, o conto… Espero que isso seja apenas temporário e que depois eu possa voltar com maior motivação e criatividade.
Espero!

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gratidão

Em meu primeiro pensamento matutino manifesto gratidão pelo dom de ser e existir. Há um mundo infinito à minha volta e um universo em construção que trago em meu interior. Penso nas incógnitas que são a minha origem e destino, penso nos meus tempos de menino e na ancianidade que se aproxima. Penso nas pessoas que sorriem para mim e naquelas que riem de mim. De qualquer modo quero ter e provocar alegria, gostaria de ostentar eternamente alguma juventude e amiúde me flagro a sonhar com o futuro do passado – aquilo que eu desejava ser um dia… Graças a Deus, apesar das mazelas, creio que consigo chegar lá… e por isso sou agradecido!

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vivendo agora

Me dei conta – na verdade sempre penso nisto – que a linha do tempo é uma sucessão interminável de muitos “agoras” que se nos apresentam como os únicos momentos sobre os quais podemos atuar diretamente. O momento passado e o próximo instante – ambos estão fora do nosso controle, um por já ter passado e o outro por ainda não ter chegado. Mas mesmo o agora é dinâmico demais e impossível de ser retido, e assim se vai passando de agora em agora os momentos que vão se transformando em passado, como o rolo de um filme que vai se cumulando de camadas enquanto um novo agora é repetidamente aguardado. Entre angústias e aflições, alegrias e ilusões, ansiamos pelos bons momentos e cravamos no único instante vivido de cada vez, toda a nossa expectativa em vivenciá-lo como um momento digno de ser eternizável e que torne definitivamente feliz a nossa trajetória – uma verdadeira vida bem aventurada.

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perspectiva malsã

Amanheci com um pensamento renitente e indigesto: e se todas as minhas torcidas – como parecem – sofrerem os efeitos da lei de Murphy e tudo acontecer ao contrário do que espero?! Como então me sentirei, como ficará esta nação, como será o seu futuro?! A Venezuela é aqui? Um novo PRI se insinua? – bastidores ao partido pretendente e aos lhe estão acoplados não faltam! A realidade nua e crua é que o midas do voto está levando tudo de roldão e não há oposição pois a que há não é e a que poderia ser ainda não tem consistência… Talvez esteja errado e tudo continue andando ao sabor das estações que se sucedem sem que as marolinhas se transformem em tsunamis, sem que a brisa se transforme em furacão ou que o sonho vire pesadelo. Mas tenho as barbas de molho, pois o temor de falsos messias e verdadeiros aiatolás – convenhamos – é preciso tê-lo…

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não haverá


livre-nos das pedras no caminho
porque sempre ficam lá
8 anos
12 anos
muitos anos sem mudar
aqui e ali, lá e cá
se sozinhas não saírem
o povo volta dará
mudando um dia o caminho…
porque tal ventura é própria
dos livres no caminhar
das escolhas às esquinas
a turba em sanha e avalanche
ora erige ora o desmanche
maiorias, minorias
livrai-nos das ditaduras
das massas ensandecidas
de ódio enfurecidas
capazes de massacrar…

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pétalas

Como uma abelha atarefada ouso alguns vôos libertários procurando novas flores donde extrair o mel. Se a rotina mói as pétalas, delas retira o que há de mais tênue e belo para formar os favos que encantam qualquer paladar. O que dizer destas flores? Como não abençoá-las?!
São pessoas ao nosso redor cujos rostos nos impregnam a alma de tal forma que nem mais as notamos com precisão. Mas estão ali para o que der e vier… torcem e caminham conosco perfazendo e construindo a estrada por onde conduzimos a existência.
Quando em vez é bom oferecer-lhes flores ou sorrisos gentis. Um gesto de carinho e atenção… Como é bom ter estas pétalas disponíveis do nosso lado!

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Carta ao PSDB

Caros líderes tucanos.
Sou um eleitor do PSDB desde a fundação do Partido, mas preocupado confesso que já fui muito mais entusiasta.
O PSDB, após o exercício do poder em suas diversas esferas, parece não ostentar mais aquela bravura de um Mário Covas ou um Franco Montoro em seus gestos de grandeza, ou ainda de líderes de outros partidos como Ulisses Guimarães ou Teotônio Vilela, passando atualmente a ocupar apenas o lugar-comum da política em que prevalece o interesse particular ao coletivo, priorizando a carreira política solo aos interesses do Partido.
E que esdrúxulas contas muitos candidatos fazem nesta hora!!!
Como pode ser que o Serra nas pesquisas mais recentes esteja num patamar tão inferior como candidato à presidência, considerando-se apenas o Estado de São Paulo, do que o Alckmin para o governo paulista? Isso não é sintomático de uma falta de sintonia programática e afinidade ideológica?!
Como pode ser que o Aécio, preterido em sua candidatura à presidência, tenha recusado constituir uma chapa puro-sangue, candidatando-se a vice-presidente?!
Enquanto isso o governo e seus aliados dão lição de unidade – independentemente da forma como ela é construída – e nadam de braçada ameaçando a vitória do Serra que em princípio parecia favas contadas.
É preciso juntar os autênticos líderes do partido em uma reunião que defina novos rumos para essa campanha, sob pena de um rotundo naufrágio eleitoral – quiçá já no primeiro turno.
Lamentável para o PSDB e mais lamentável ainda para o país cujos próceres de maior renome não tem uma visão para além do próprio umbigo!

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