{"id":147,"date":"2006-06-08T14:41:00","date_gmt":"2006-06-08T14:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiztarciso.net\/?p=147"},"modified":"2006-06-08T14:41:00","modified_gmt":"2006-06-08T14:41:00","slug":"um-audioblog-surpreendente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiztarciso.net\/?p=147","title":{"rendered":"um audioblog surpreendente"},"content":{"rendered":"<p>As surpresas, como \u00e9 de se esperar, jamais avisam&#8230; Acontecimentos inesperados e inusitados se insinuam em nosso quotidiano ora enfeitando, ora enfeiando o nosso dia-a-dia. Mas hoje falo de enfeites, porque nestes \u00faltimos dias tomei conhecimento, atrav\u00e9s da indica\u00e7\u00e3o do meu amigo <a href=\"http:\/\/camafunga.com\">Marcelo Camafunga<\/a>, de um site portugu\u00eas onde um locutor interpreta textos de escritores consagrados e tamb\u00e9m de autores an\u00f4nimos. Como me enquadro nesta \u00faltima categoria desejei ouvir-me e enviei tres textos de minha autoria, sendo duas poesias e um conto. \u00c9 verdade que n\u00e3o atinava com a possibilidade de ouvi-los &#8211; n\u00e3o ao menos com tamanha brevidade &#8211; mas para minha satisfa\u00e7\u00e3o eis que sou notificado que um dos meus textos, ao lado de um outro do referido amigo Marcelo e ainda um terceiro de um autor portugu\u00eas, foi interpretado e disponibilizado em um audioblog na internet pelo Luis Gaspar &#8211; ao qual antes me referi e a quem fico imensamente agradecido por esta especial\u00edssima defer\u00eancia. A quem tiver o desejo de ouvir como ficou bonita a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acess\u00e1-la no site <a href=\"http:\/\/www.estudioraposa.com\">Estudio Raposa &#8211; audioblog do Luis Gaspar <\/a>(sugiro que se guarde carinhosamente nos favoritos porque vale a pena) no item &#8220;Lugar aos Outros 06&#8221;. Claro que ningu\u00e9m consegue acessar o audioblog do Luis Gaspar sem deixar de se encantar ao ouvir os textos por ele interpretados, sejam aqueles j\u00e1 consagrados sejam as cria\u00e7\u00f5es de an\u00f4nimos autores.<br \/>Quando ao texto de minha autoria que o Luis Gaspar maravilhosamente interpreta em seu audioblog \u00e9 o que reproduzo a seguir:<\/p>\n<p>O que nos reserva Cronos&#8230;<br \/>seu templo difuso, cortinas de nuvens<br \/>murm\u00farios, pain\u00e9is a cores, ficam e vem<br \/>trilhos desconhecidos enquadram &#8211; dirigem o trem fugidio&#8230;<br \/>esquio veloz esbranqui\u00e7ados lugares g\u00e9lidos<br \/>um certo tom cinza predomina<br \/>minha p\u00e1lida neblina como conv\u00e9m<br \/>sou levado por \u00e1guas<br \/>enxurradas cansadas<br \/>Beijo o espa\u00e7o e vejo vidra\u00e7as foscas<br \/>no interior passeiam moscas<br \/>e c\u00e1 fora ganem alguns c\u00e3es friorentos<br \/>onde andar\u00e3o meus unguentos?!<br \/>E os dois rebentos de que servir\u00e3o?&#8230;<br \/>Investe novamente a sonol\u00eancia surda<br \/>e sinto o estrago do absurdo e contido<br \/>desse choro mudo e convulso<br \/>me remexo na cadeira inquieto<br \/>olho o fog e a fuma\u00e7a rumo ao teto<br \/>estou dentro e fora de tudo e todos<\/p>\n<p>levo tudo a rodo e sempre sobra alguma sujeira molhada<br \/>de concreto resta um quase nada<br \/>exceto essa dor<br \/>suavemente virulenta<br \/>docemente acre<br \/>restos do \u00faltimo porre<br \/>na entranha uma sede faminta<br \/>e um que de tolice disperso no ar<br \/>pra que sorrir, pra que chorar?<br \/>Irrita aquela m\u00fasica de fundo<br \/>feito alegres petiscos nas vitrines<br \/>longe, caros, fumegantes mas frios nos pratos<br \/>a imagem dos rostos sardentos e famintos<br \/>povoam a minha mente e at\u00e9 o picante odor mendigo<br \/>finjo n\u00e3o ver, n\u00e3o ligo, mas vejo-os ali lado a lado<br \/>e eu pensando e sofrendo sem motivo aparente<br \/>falta de gente, frio cortante, medo demente, raiva gritante&#8230;<\/p>\n<p>Depois, de que adianta ficar pensando neste t\u00e9dio<br \/>n\u00e3o trago aqui rem\u00e9dio<br \/>s\u00f3 uma esp\u00e9cie de irrita\u00e7\u00e3o tardia<br \/>revolta absurda<br \/>pressinto o vazio<br \/>acho que \u00e9 apenas solid\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As surpresas, como \u00e9 de se esperar, jamais avisam&#8230; Acontecimentos inesperados e inusitados se insinuam em nosso quotidiano ora enfeitando, ora enfeiando o nosso dia-a-dia. 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