{"id":285,"date":"2008-04-15T12:24:00","date_gmt":"2008-04-15T12:24:00","guid":{"rendered":"http:\/\/luiztarciso.net\/?p=285"},"modified":"2008-04-15T12:24:00","modified_gmt":"2008-04-15T12:24:00","slug":"tique-taques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luiztarciso.net\/?p=285","title":{"rendered":"tique-taques"},"content":{"rendered":"<p><center><a onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\" href=\"https:\/\/luiztarciso.net\/uploaded_images\/relogiantigo-795138.JPG\"><img decoding=\"async\" style=\"margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;\" src=\"https:\/\/luiztarciso.net\/uploaded_images\/relogiantigo-795133.JPG\" width=\"100\" alt=\"\" border=\"0\" \/><\/a> <\/center><br \/>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Alguma coisa no tempo me absorve em extenuante trabalho in\u00fatil da mente. O tempo passa. Na parede, quase desapercebido \u2013 meu rel\u00f3gio muito antigo marca sem saber essa passagem. \u00c9 m\u00e1quina, mas \u00e9 personagem de uma hist\u00f3ria. Me lembro dos meus primeiros contatos com ele. Seus tique-taques monoc\u00f3rdios s\u00f3 pareciam interrompidos pelo badalar das horas cheias e de suas metades. Crian\u00e7a ing\u00eanua \u2013 a ingenuidade era minha companheira insepar\u00e1vel \u2013 eu via a alma do rel\u00f3gio e desde ent\u00e3o eu j\u00e1 sabia que ter\u00edamos um caso de posse m\u00fatua. Tenho eu esse rel\u00f3gio ou ser\u00e1 que ele me tem?! N\u00e3o sei. Na verdade ele sempre marcou as minhas horas. Mesmo quando eu j\u00e1 n\u00e3o estava por perto e fui embora pra cidade. Primeiro a pequena e depois a grande. Meu rel\u00f3gio \u2013 que ainda n\u00e3o era \u2013 a esperar num compasso repetitivo e paciente. Tique-taque, tique-taque, tique-taque&#8230; Blemblom, blemblom, blemblom&#8230; Eram tr\u00eas horas da tarde. O sol a pino e um calor que Deus mandava. Os animais no pasto adivinhavam chuva relinchando, correndo, balindo, pastando. Eu chorava num canto sob o meu rel\u00f3gio&#8230; Imaginava febril as horas long\u00ednquas que nunca chegavam e que ainda n\u00e3o me deixavam partir. Parece que aquelas l\u00e1grimas tiveram o cond\u00e3o de acelerar o tempo que n\u00e3o passava e a partir de ent\u00e3o, cada dia mais depressa ele foi passando e desgastando os infind\u00e1veis tique-taques do velho rel\u00f3gio pendurado. Anos depois, idas e vindas, depois de tantas mudan\u00e7as o cansa\u00e7o das viagens. Tanto quanto a mim ele me pareceu t\u00e3o cansado da \u00faltima vez que pude ouvi-lo noite adentro em seu balan\u00e7o nost\u00e1lgico e hipn\u00f3tico&#8230; Se movia t\u00e3o exausto e lento que ao clarear do dia seus ponteiros carcomidos amanheceram parados.  Quando o moderno celular me despertou olhei-o l\u00e2nguida e longamente, mirando as figuras gastas de seu vidro amarelado pelo tempo. Um tristonho desalento me envolveu e n\u00e3o tive coragem de girar sua anacr\u00f4nica manivela que o obrigaria retomar seus movimentos a demarcar meu tempo. Quedei-me absorto e deixei que permanecessem im\u00f3veis  seus ponteiros e badalo, e que se calassem os seus tique-taques&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Alguma coisa no tempo me absorve em extenuante trabalho in\u00fatil da mente. O tempo passa. Na parede, quase desapercebido \u2013 meu rel\u00f3gio muito antigo marca sem saber essa passagem. \u00c9 m\u00e1quina, mas \u00e9 personagem de uma hist\u00f3ria. Me lembro dos meus primeiros contatos com ele. 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