Quando o experiente senhor trajando um colete cinza se aproximou o serelepe fugiu. Na casa do serelepe todo mundo era muito displicente, o pai serelepe, a mãe serelepe e a serelepada toda… Como pode alguém assim se aproximar de um serelepe como eu, o serelepe pensou. Aí tem coisa! É melhor fugir… Enquanto assim pensava e dava passinhos apressados em sua fuga repentina o serelepe percebeu a imensa sombra móvel que o cobria… o senhor elegante também corria e já prestes a alcançá-lo jogou uma toalha sobre o bichinho apressado, prendendo-o no interior daquele pano. Desesperado debateu-se procurando uma saída, mas percebeu que a mão do senhor de certa idade o havia envolvido por sobre a toalha felpuda. Nisso uma algazarra de crianças que corriam se aproximaram gritando em voz alta: pegou vovô? pegou o bichinho para nós? Calma meninos. Calma… Vamos deixar o bichinho se acalmar e depois a gente conversa um pouquinho com ele. A criançada ria e ria das tolices do vovô. Como poderia um serelepe falar?! Só em desenho animado, não na vida real. Mas para espanto da garotada o serelepe falou: a vida é mesmo uma loucura e na falta de inspiração ninguém sabe do que são capazes certos escritores… Acontece que os personagens das histórias vão ganhando autonomia e deixam louco o louco que as cria. E para corrigir essa espécie de efeito borboleta o escritor escreve… escreve… escreve… A garotada se cansou daquela história – crianças são mesmo impacientes – e os pirralhos foram brincar de bola no quintal vizinho. Só ficaram ali os dois, igualmente pensativos, o vô que escrevia e o serelepe aprisionado nas toalhas de sua fantasia…
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