A poesia parece caprichosamente se esquivar de mim e o clima é um tema saturado para mais uma crônica de queixumes. Assim prefiro poupar-me e aos eventuais transeuntes virtuais das minhas elucubrações sobre as instabilidades climáticas. Estou enrolando, eu sei. Se fosse um escritor de verdade talvez eu já tivesse encontrado um rumo para este texto. Mas não, não tenho a menor idéia de onde isso vai dar. Não é a primeira vez que escrevo assim nessa linha aleatória. Sinto que devo fazê-lo hoje pois afinal descobri um site interessante que recomendo e que faculta aos blogueiros inserir uma citação diária em seus sites. No meu caso, inseri aí no ponto mais alto, feito um chamativo para emoldurar meus posts. O pensamento de La Fontaine, hoje citado, diz que o sujeito que não faz barulho é uma pessoa perigosa. Por via das dúvidas – e para não soar perigoso, – resolvi romper meu silêncio blogueiro e reagir contra a preguiça tupiniquim que me assola nestes últimos dias. Antigamente escrevia nos meus cadernos – algumas vezes durante as aulas – e perdi todos aqueles escritos antigos, exceto alguns datilografados enquanto estava no escritório, durante o expediente. Textos por conta do patrão. Estes não se perderam e os conservo dentro dum envelope já amarelado pelos anos. Até acho que já postei dois ou tres deles por aqui. Tenho percebido com clareza, ultimamente, que vale a pena a guerra interior que travo para manter aceso meu renitente otimismo, embora em muitas ocasiões um instinto poderoso me arraste para sensações de desencanto. Olho para o espelho e ele parece me acusar: relaxado! Estou engordando, vejo rarear cada vez mais os fios de cabelo e me sinto impotente para reagir contra esse apetite juvenil que me devora ultimamente. Não resisto a alguns quitutes, especialmente salada de frutas e bombons. Me engano bem nestas ocasiões: “só mais um pouquinho…” A sorte é que durante os dias úteis da semana tenho conseguido ser mais moderado e resistido mais à gula. Como sou otimista e insisto em sê-lo, sei que algum dia vou abandonar essa preguiça que me faz sedentário, retomando meus antigos joggings e caminhadas e vou começar a fazer natação ou algo que o valha. Valha-me Deus!
Uma coisa é certa, escrevendo desse jeito, não posso reclamar da audiência ausente ou silenciosa. A serventia de me forçar à escrita é que daqui um tempo volto e leio o que escrevi e, se não me envergonhar e apagar tudo, recordarei algo desse tempo de mediocridade literária… E isso é mais que nada ter para contar às minhas futuras gerações…
24
set
não quero falar do tempo
pensado por Tarciso Comente
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